16 dezembro, 2010
Eddie Vedder- Better Days
22 novembro, 2010
Acoplamento fraco x Herança
Introdução
Acoplamento fraco é um dos principais requisitos para se construir software orientado a objetos (OO) de qualidade. O acoplamento fraco mede o quanto uma classe, depende de, ou está relacionada a, outra classe ou subsistema. A capacidade de uma classe em herdar o comportamento de outra(s) é uma das principais características do paradigma OO. A principal vantagem é poder criar novas classes quase de graça, aproveitando o código de outra. Esse artigo discute esses dois conceitos e mostra porque a herança, em geral, ajuda a comprometer o acoplamento fraco.
Acoplamento fraco
Uma classe com acoplamento forte depende muito (em geral sem necessidade) de outras. Isso pode conduzir aos seguintes problemas [Larman]:
classes difíceis de aproveitar tendo em vista que sempre que esta for utilizada todas as outras das quais ela depende devem estar presentes;
alterações nas classes relacionadas podem forçar mudanças locais e
são difíceis de compreender isoladamente.
Formas comuns de acoplamento ocorrem através de: variáveis de instância, variáveis locais a métodos ou de seus argumentos, chamada de serviços em outra classe, uma classe deriva direta ou indiretamente de outra ou uma classe implementa uma determinada interface. Resumindo, sempre que uma classe referencia um outro tipo em qualquer uma das circunstâncias acima está ocorrendo acoplamento. Considere o código:
public class X
{
private ClasseConcretaY var1;
void M1(ClasseConcretaW var2 ) { … }
}
Existem dois pontos principais de acoplamento, na variável de instância var1, que é do tipo ClasseConcretaY, e no argumento var2, que é do tipo ClasseConcretaW. Nestas duas partes do código a classe X referencia outras duas classes concretas. Isso significa que, sempre que esta classe for utilizada, as outras duas deverão estar disponíveis no espaço de nomes do programa. No caso de Java, o(s) pacote(s) onde estas se encontram deverá(ão) estar no classpath.
Mas, referenciar outras classes sempre causa problemas de acoplamento? A resposta é, depende! Referenciar classes estáveis e disseminadas raramente é um problema. Por exemplo, utilizar o pacote java.util num programa em Java dificilmente causará problemas futuros de acoplamento, uma vez que qualquer ambiente de execução Java contém essa biblioteca. O problema está em classes instáveis, pouco conhecidas, ou seja, nas classes que são criadas para atender os problemas específicos dos projetos.
Como diminuir o acoplamento?
Uma regra geral para diminuir o acoplamento é “programar para uma interface e não para uma implementação” [Gamma]. No exemplo acima isso significa substituir as declarações das classes concretas por declarações de interfaces. Fazendo isso desacopla-se o código de uma implementação específica, tornando-o dependente apenas de uma interface. Essa não é a solução definitiva, um bom projeto com boas atribuições de responsabilidades é crucial, porém ajuda muito. É mais fácil compreender isoladamente uma classe que referencia apenas interfaces e mais [Gamma]:
os clientes (usuários da classe) permanecem sem conhecimento dos tipos específicos dos objetos que eles usam, contanto que os objetos tenham aderência à interface que os clientes esperam,
os clientes permanecem sem conhecimento das classes que implementam estes objetos; eles somente têm conhecimento das classes abstratas que definem a interface.
Herança
A herança é a principal característica de distinção entre um sistema de programação orientado a objeto e outros sistemas de programação. As classes são inseridas em uma hierarquia de especializações de tal forma que uma classe mais especializada (subclasse) herda todas as propriedades da classe mais geral (superclasse) a qual é subordinada na hierarquia.
O principal benefício da herança é o reaproveitamento de código. A herança permite ao programador criar uma nova classe programando somente as diferenças existentes na subclasse em relação à superclasse. Isto se adeqüa bem a forma como compreendemos o mundo real, no qual conseguimos identificar naturalmente estas relações.
A reutilização por meio de subclasses é dito “reutilização de caixa branca”, pois usualmente expõe o interior das classes ancestrais para as subclasses. A herança é definida estaticamente em tempo de compilação e é simples de utilizar, uma vez que é suportada diretamente pela linguagem de programação.
Acoplamento fraco x Herança
A decisão de derivação a partir de uma superclasse precisa ser cuidadosamente considerada, uma vez que ela é uma forma muito forte de acoplamento [Larman]. As classes ancestrais freqüentemente definem pelo menos parte da representação física das suas subclasses. A implementação de uma subclasse, desta forma, torna-se tão amarrada à implementação da sua classe mãe que qualquer mudança na implementação desta forçará uma mudança naquela. Vejamos uma situação onde isso é verdadeiro. Considere o esquema de herança abaixo:
abstract public class X
{
private final int MAX = 100;
public int CalculaMaximo(int i)
{
return i * MAX;
}
public int UsaMaximo(int i)
{
int maximo = CalculaMaximo(i);
//faz alguma coisa de útil com maximo …
}
}
public class Y extends X
{
public void UsaMetodoDaClasseX()
{
….
int aux = UsaMaximo(10);
…
}
}
Até aqui tudo bem! Agora considere a seguinte modificação na classe X:
abstract public class X
{
private final int MAX = 100;
public int CalculaMaximo(int i)
{
return (int) i * (MAX /100); // Aproxima o resultado com cast
}
public int UsaMaximo(int i) { … }
}
Essa alteração na maneira como o máximo está sendo calculado pode gerar efeitos colaterais na classe Y. A aproximação para inteiro pode funcionar para alguns métodos que usam a CalculaMaximo() mas provocar resultados errôneos na UsaMetodoDaClasseX(). Assim, para que a classe Y continue funcionando, esta precisaria ser adaptada à nova realidade. Problemas podem ocorrer também quando estruturas de dados visíveis nas classes derivadas são alteradas. Um array bidimensional transformado para vetor ou mesmo um tipo int modificado para float certamente acarretará problemas.
Este exemplo simples ajuda a mostrar como uma alteração na implementação de um método numa classe base pode provocar anomalias nas suas classes derivadas. Observe que não ocorreu uma alteração de interface, o que necessariamente (e notoriamente) implica em alterações nas classes clientes. É por isso que a herança, em particular, revela um alto acoplamento. Além das hierarquias de classes criadas estarem suscetíveis às mudanças de interface, estão suscetíveis também às alterações nas implementações dos métodos.
Quando uma subclasse redefine algumas, mas não todas as operações, ela também pode afetar as operações que herda, assumindo-se que elas chamam as operações redefinidas [Gamma]. Isso gera um efeito semelhante ao apresentado acima, porém no sentido oposto, onde alterações nas classes mais especializadas podem gerar problemas nas classes base. Se a classe Y tivesse sobrescrito o método CalculaMaximo(), o problema com a aproximação poderia ocorrer no método UsaMaximo() da classe X.
Como evitar a herança?
Uma outra forma de reaproveitar funcionalidade é através da composição de objetos. Novas funcionalidades são obtidas compondo objetos para obter funcionalidades mais complexas. Uma das vantagens desta abordagem é a flexibilidade em poder selecionar em tempo de execução qual objeto será usado na composição (contanto que este respeite a interface definida). No exemplo anterior, se a classe Y tivesse uma referencia para um outro objeto com a funcionalidade definida em X, quando este fosse alterado restaria a ela ainda a possibilidade de utilizar uma versão antiga e seu funcionamento não estaria necessariamente comprometido.
Conclusão
Evitar herança e privilegiar a composição é em geral uma boa prática em projetos orientados a objetos. Favorecer a composição de objetos em relação à herança ajuda a manter cada classe encapsulada e focalizada em uma única tarefa. Suas classes e hierarquias de classes se manterão pequenas e mais tratáveis [Gamma]. Além disso, vimos como e porquê a utilização da herança resulta num alto acoplamento e os problemas que isso pode acarretar.
Bibliografia
[Gamma] Gamma, E; Helm, R; Johnson, R; Vlissides, J. Padrões de Projeto – Soluções Reutilizáveis de Software Orientado a Objetos, Bookman, 2000.
[Larman] Larman, C. Utilizando UML e Padrões, Bookman, 2004.
25 outubro, 2010
Para quem busca inspiração para escrever

18 outubro, 2010
SWU - 2010
15 outubro, 2010
23 agosto, 2010
O prazer da mudança

Acabei de assistir Hary e Sally pela 4 vez eu acho. O filme tem um lance legal onde de repente a sequência normal é interrompida e entra em cena casais já velhinhos contando orgulhosos como se conheceram há mil anos atrás e estão juntos até hoje. É engraçado como a sociedade (ou o ser humano, não sei) valoriza a constância, a estabilidade, a rotina. Qualquer mudança, em geral, é recebida com maus olhos. Mas, na minha opinião, a mudança é o que dá graça à vida, é o que nos faz crescer, sair do lugar, superar limites, conhecer coisas novas. Do que adianta viver até aos 80 anos fazendo sempre a mesma coisa. Que tédio! Um dos casais mais simpáticos é um tiozinho chinês que conta como conheceu a tiazinha chinesa. Foi assim: um homem de um vilarejo próximo disse a ele que havia uma moça muito boa e que estava pronta para casar. Ele não podia vê-la antes do casamento, pois assim rezava o costume, mas mesmo assim foi até o povoado próximo, ficou escondido e a espiou quando lavava roupas. Gostou dela e então disse ao homem que aceitava sim casar-se com a tal moça. Isso tinha sido há 52 anos e estavam juntos desde então. Isso é muito tempo.
Fazer a mesma coisa a vida toda é um pensamento que me apavora. As vezes brinco que queria mudar de profissão e virar soldador de alumínio por um tempo. Dou esse exemplo por causa da palestra do Almir Klink onde ele conta como eles tiveram que treinar pessoas para trabalhar como soldadores de alumínio no estaleiro dele. Como esse é um trabalho altamente especializado, quem aprende e fica bom logo é chamado para trabalhar em outros estaleiros ao redor do mundo. Quando o ouvi contando senti mesmo vontade de largar tudo e ir aprender a fazer navios. O quanto eu não aprenderia convivendo com aquelas pessoas que estariam ali. Aprenderia muitas outras histórias de vida diferentes das que eu vivi. Aprenderia um novo ofício diferente de tudo que eu já fiz. Sairia do escritório e iria trabalhar ao ar livre, perto do mar. E quando me cansasse daquilo começaria tudo de novo. Assim poderia/deveria ser a vida, poder vasculhar o mundo e tudo que ele tem a oferecer.
21 abril, 2010
Tarantino x Irmãos Coen
Filmes do Tarantino
1992 - Cães de aluguel
1994 - Pulp Fiction - Tempo de violência
1997 - Jackie Brown
2003 - Kill Bill: Volume 1
2004 - Kill Bill: Volume 2
2005 - Sin City - A cidade do pecado
2009 - Bastardos Inglórios
2014 - Kill Bill 3
Filmes dos irmãos Coen
2009 - A Serious Man (Um homem de família)
2008 - Queime Depois de Ler
2007 - Onde os Fracos Não Têm Vez
2006 - Paris, je t'aime
2004 - The Ladykillers
2003 - Intolerable Cruelty
2001 - The Man Who Wasn't There
2000 - O Brother, Where Art Thou? (E aí meu irmão, cadê você?)
1999 - The Big Lebowski (O grande Lebowski)
1996 - Fargo
1994 - The Hudsucker Proxy
1991 - Barton Fink
1990 - Miller's crossing
1987 - Raising Arizona (Arizona nunca mais)
1984 - Blood Simple (Gosto de sangue)
Divirta-se!!
27 julho, 2009
A pessoa mais idiota que eu conheço
25 junho, 2009
Todos mereciam já nascer com o seu caddie
Nunca pensei que seria possível fazer um filme interessante sobre o golfe, mas nesse fim de semana assisti um que chegou bem perto. O filme chama-se “Lendas da Vida” ou em inglês “The Legend of Bagger Vance" (2000) e conta a história de um herói da 1ª Guerra Mundial que participa de um campeonato de golfe e lá recebe a ajuda de um caddie misterioso. Achei o filme muito bom. É daquele tipo de filme inspirador, tipo de filme que se deve assistir de vez em quando pra ajudar a dar uma acalmada no espírito, lembrar de coisas importantes que se esquece no dia a dia tumultuado e renovar a esperança nas coisas. E tudo isso sem ser piegas ou chato (palmas para o Robert Redford que foi o diretor). Logo depois de cada cena de lição de moral ou mais romântica o filme volta rapidamente ao ritmo descontraído de antes e assim não fica aquela coisa muito melodramática e pesada.Além de tudo isso, ainda aprende-se um monte sobre o golfe, e de um jeito que faz parecer o jogo realmente interessante. Chegou a dar vontade de tentar um dia. A impressão que sempre tive era de um jogo enfadonho jogado por pessoas mais enfadonhas ainda. Nada disso, é massa! O objetivo como todos já têm uma idéia é ir dando tacadas na bolinha até conseguir coloca-lá no buraco. E isso estando num campo de grama irregular e enorme, cheio de obstáculos como lagos, árvores, vento, etc, e na maioria das vezes a centenas de metros do buraco. Daí que nos jogos reais os caras conseguem tipo, estando quase a 1000 metros de distância , dar uma tacada que leva a bola do lado dele. Caráááio véiiiooo, isso é muito difícil!!! E quando acontece um hole-in-one (acertar o buraco numa só tacada, o que, dependendo da distância, é quase impossível) é como presenciar um milagre com seus próprios olhos.
Caddie é aquele carinha que fica levando os tacos do golfista pra lá e pra cá e de vez em quando dá uns pitacos sobre qual melhor taco usar ou melhor estratégia de jogo. O caddie do filme, porém, faz mais do que dar pitacos técnicos. Ele ajudou seu golfista, que era o azarão e jogava contra dois fodões do golfe, a se concentrar e a encontrar seu jogo. O cara tinha ficado 10 anos sem jogar, desde que voltou da primeira guerra mundial. Tinha perdido a fé nas pessoas e em si mesmo. Não é preciso passar pela experiência de uma guerra pra se perder o entusiasmo. Às vezes passamos por experiências tão difíceis que esquecemos quem nós somos e do nosso brilho interior. Nos deixamos consumir por toda a carga negativa que vai se acumulando com o tempo e chega uma hora que vivemos de reflexos, apenas na defensiva, esquivando do mal que pode estar pela frente. E vivendo assim é impossível ter forças pra realizar o que se deseja da vida. Fora o estado emocional, pense na dificuldade que é ser bom no golfe. Quer dizer, você ta lá, com um taco na mão e tem que acertar uma bolinha com força e ao mesmo tempo com precisão pra arremessa-la onde sua vista nem alcança direito. Você tem que medir a força que vai bater na bola e fazer com que seus músculos obedeçam, o jeito que vai bater, calcular a trajetória, pensar nos obstáculos naturais, controlar a respiração. São muitas as variáveis a serem consideradas para que cada tacada saia perfeita. Sabe aquele jogo de lançar argolas para que entrem nas garrafas? Isso já é difícil e a gente está a míseros cinco metros de distância, imagine no golfe.O que eu quis tentar mostrar aí em cima foi como é complicado quando se deseja fazer algo difícil ou então ser o melhor em alguma coisa. São tantos fatores envolvidos, tanto técnicos como emocionais, que sem ajuda às vezes fica impossível. E isso é verdade pra qualquer coisa, em qualquer área, seja esportiva ou não. O caddie (interpretado pelo Will Smith) já sabia disso tudo e ajudou seu parceiro a encontrar o equilíbrio com conselhos certos na hora certa. Isso deve ser comum na área esportiva, quer dizer, o que ele fez deve ser o papel de qualquer treinador por exemplo. Mas o que eu acho é que todo mundo que está empenhado a fazer algo deveria ter ajuda. Todos mereciam ter um caddie por perto, interessado e dando bons conselhos, e, se você já tem alguém assim, vá logo rumo ao sucesso.
15 maio, 2009
10 coisas que me deixam realmente puto
e daí tentei lembrar de outras situações que me deixam puto e resolvi compartilhar aqui no blog. Veja bem, não é qualquer coisinha atoa, tive que olhar fundo e descobrir coisas que sejam realmente insuportáveis para mim. E vou dizer, não foi fácil conseguir os 10 itens e se você quiser pode deixar uma lista sua num comentário. Lá vai então ...
1 –Aqui perto de casa tem um sinal que fecha por 2 minutos e abre por três segundo e ele é meu caminho na maioria das vezes que preciso chegar em casa. Acontece que muitas vezes paro no sinal atrás de outros carros e quando o sinal abre geralmente passam só dois carros.
2 - Quando entra aquele mosquitinho quase invisível no nariz e dá um desespero pra tirar. É impressionante a sensação horrível quando entra alguma coisa pequena no nariz. Serviria até como mecanismo de tortura :)
3 - Quando preciso muito falar com alguém, espero chamar várias vezes e, quando atende, é a secretária eletrônica. Dá uma sensação que de fato alguém atendeu e a gente chega a falar “Alô!”, aliviado da pessoa estar em casa e pensa ter valido a pena ter esperado tocar todas aquelas vezes.
4 - Quando fica aquela música que detestamos na cabeça.
5 - Ver uma geladeira cheia de imã de geladeira. Não sei porque mas isso me deixa irritado. Dá vontade de passar a mão e derrubar tudo.
6 - Trabalho com informática e uma das coisas que me deixam realmente estressado é a quantidade de coisinhas que é preciso resolver antes de se começar a resolver o problema real. Se preciso instalar um programa X qualquer, para isso entro na internet, procuro umas dicas de procedimento de como fazer e baixo o pacote do programa a ser instalado. Começo a seguir o passo a passo e uma das primeiras coisas é compilar o programa. Mas antes é preciso instalar as bibliotecas, então vou lá e instalo. Compilo o programa e ocorre que está faltando outras bibliotecas. Então paro tudo, faço download e instalo as benditas. Compilo novamente e acusa que uma das bibliotecas que já estava instalada no sistema operacional é incompatível com a versão de uma das bibliotecas que eu recém instalei ... e assim vai ... um ciclo interminável e desesperador que está sendo responsável pelos meus primeiros fios de barba branca.
7 - Acordar cedo. O ser humano moderno não nasceu pra isso.
8 – Quando dá pau no Word ou no email e tenho que escrever tudo de novo.
9 – Minhas tias contando pela bilionésima vez a mesma história.
10 – Todas as vezes que o Corinthians vence um jogo.
17 janeiro, 2009
A verdade sobre os carros de mensagem de som.
Eu também não consigo imaginar de onde surgiu a idéia de que as pessoas iriam gostar de receber uma declaração sentimental de outra, que já não é fácil receber no escurinho do quarto, sendo dita num carro no meio da rua e podendo ser ouvida a quatro quarteirões dali. Eu acho que deve ter acontecido assim: a namorada toda romântica grava uma fita com uma declaração pro namorado e combina com o irmão que tem um carrão todo equipado com a sonzeira - módulo, subwoofer, twister e o escambal – de irem na casa dele fazerem uma surpresa. Chegam lá já tocando música alto e param em frente da casa. O povo lá dentro já se irrita porque aquele som alto ta atrapalhando ouvir a TV e o pai levanta pra ver o que ta acontecendo. Abre a cortina e vê a namorada do filho saindo do carro e grita pro coitado do garoto que é pra ele ir lá fora acabar com aquela zueira. A mãe, ouvindo aquilo, aproveita pra espisinhar a garota, de quem ela já não gosta muito, e começa a ladainha (como que aquela gata gente boa que a gente escolhe pra casar vira uma velha chata dada a ladainhas??). O cara já sai de casa PUTO dando esporro na namorada, o que ela ta pensando, aquilo é uma casa de família, ta aí com esse som nas alturas atrapalhando os vizinhos, tinha que ser coisa desse seu irmão delinqüente mesmo e por aí vai ... Nesse ínterim, o vizinho judeu da frente que acompanhou todo o ocorrido pensa “Jacó pode se dar bem com esse. Até que todo casal receba uma desse e caia na real, Jacó já ta rica.” E chama a filinha pra planejarem o próximo negócio.
Eu andei pesquisando e parece-me que só no Brasil é que existe isso. Refletindo, até que faz sentido, afinal somos um povo pacífico, cordato, que leva tudo no bom humor. Então um negócios desses consegue prosperar por aqui. Agora imagina nos outros países onde o povo já não é tão calminho. Tipo, nos EUA, o jovem recebe um desses na escola, acha que é provocação, saca uma sub-metralhadora e metralha o carro, a namorada, o povo que tava chegando perto e depois se entrega dizendo que eles é que pediram por isso. No Afeganistão - o carro chega, é suspeito, o cara pula em cima e explode tudo. No Japão, o cara namora uma ocidental que manda o carro, ele assiste tudo com aquela expressão de botox, entra na casa e se mata com aquela faquinha pois aquilo foi uma grande afronta à sua honra. Na China – uma empresa ocidental que estava por lá faz um desses pro aniversário de um de seus funcionários. Os chineses vêem, dissecam toda a sistemática do negócio e abrem a maior firma do mundo de mensagem falada com filiais aqui no Brasil.
08 janeiro, 2009
O corte do Samurai
De todas as centenas de golpes com a espada que aprendemos nenhum é tão mortal quanto o que chamamos de - O corte do samurai.A espada entra entre os ossos na altura do cotovelo a uma velocidade de nada menos que 142 m/s. Qualquer coisa menor do que isso irá fazer a lâmina resvalar em algum momento. Após passar pelos braços o tronco é atingido numa altura onde não precisamos mais nos preocupar com as costelas, o único osso pela frente é a coluna vertebral. Se assim não fosse seria impossível atingir o resultado. No mais, os principais obstáculos são os rins, intestinos, o músculo abdominal e todo fluído existente. Todo o movimento leva cerca de 2 segundos e requer a aplicação de uma força de aproximadamente 30 quilos. Não é muito se pensarmos que existem animais cuja mordida gera uma pressão 100 vezes maior e não consegue decepar nem um braço.
Esse é o corte do samurai. Aprendi aos 12 anos, pouco antes de terminar o treinamento. Tenho orgulho em dizer que fui o primeiro da minha turma. Nunca o executei numa pessoa real. "
Katsumiro Otoma descrevendo um dos golpes que aprendeu com a espada em seu treinamento.
04 março, 2007
Como anda sua criatividade?

Nos meus estudos sobre modelagem OO, padrões, frameworks, etc, às vezes fico impressionado com a criatividade das pessoas que geram essas soluções. Gosto de pensar que trabalhar com programação é um tipo de arte, já que existem várias maneiras de combinarmos as peças que compõem uma solução e, dependendo de como isso é feito, pode-se conseguir algo brilhante ou algo que fracaça. A imagem do artista nos remete à liberdade criativa que, para mim, é a maior manifestação de inteligência possível. Einstein é considerado o ser humano mais inteligente de todos os tempos porque teve a idéia mais criativa que se tem notícia. Gostaria de um dia deixar de só consumir o que é produzido em computação (notavelmente quase tudo no exterior) e conseguir criar como “eles”. Falando neles, e como eles criam não? Até se compararmos nosso meio artístico, que em princípio deveria ser formado por pessoas as mais criativas, quase tudo que é feito aqui é algum tipo de cópia. Difícil algo realmente original. O lançamento do iPhone rendeu para a Apple 200 novas patentes. Isso é o que o Brasil registra em um ano. E qual será o motivo disso? Arrisco dizer que um dos principais é que não nos preocupamos em ser criativos. Não é da nossa cultura. Não somos estimulados a isso pelos nossos pais, pela sociedade e pelo governo. A China, conhecida pela pirataria e pelo plágio escancarado de projetos dos outros, quer reverter essa situação e está investindo pesado em ciência. Cientista na China tem status de pop star (como deveria ser em toda parte do mundo). Muito do café que exportamos vai para a Alemanha, que cria diversas roupagens para o produto e o exporta com o triplo do valor. Esse é o principal diferencial entre um país desenvolvido dos outros. O tal do “valor agregado”. Enquanto nos limitarmos a exportar matéria prima, nunca sairemos da condição de colônia.
21 fevereiro, 2007
A Sublime Arte de Mijar em Pé

As mulheres têm razão de sentirem inveja de uma das nossas capacidades mais sublimes, símbolo da liberdade absoluta e o que nos torna, durante alguns segundos, o ser mais poderoso da Terra. Estou falando da incrível capacidade que temos de urinar, virtualmente, em qualquer lugar, a qualquer momento e, principalmente, em qualquer direção.
Por quantas vezes já não estivemos naquela situação depois de ter tomado as seis primeiras latinhas sem interrupção e, de repente, como que um juiz apitando um pênalti, nosso cérebro seqüestra todos os nossos sentidos em função de um único objetivo, libertarmos os aproximadamente três litros de xixi que acumulamos nos últimos trinta minutos. Levantamos rapidamente em estado de alerta, tentando não levantar suspeitas da nossa intenção, em direção ao banheiro mais próximo. Chegando lá descobrimos que três garotas, repletas de quites de maquiagem, acabaram de adentrar sem previsão de saída. Ligamos todos os nossos sentidos de localização para tentar encontrar um lugar substituto, quando vemos o anfitrião posicionar-se em frente à porta dizendo, com a maior cara amarela, que aquele é o único banheiro da casa. Começamos a suar frio, a agonia de saber que a bexiga pode explodir a qualquer momento aumentando. O que fazemos então?? Entramos em desespero?? Claro que não! Simplesmente saímos sorrateiramente em busca da primeira árvore mais escura que encontramos e despejamos tudo ali! A sensação de alívio é indescritível, nada pode nos incomodar, afinal, estamos de pé, cabeça erguida, vento na cara, olhando friamente nos olhos de qualquer um que ouse nos criticar.
Outra fonte de grande prazer é a possibilidade de dispararmos em qualquer direção. Se estamos na praia, podemos fazer desenhos na areia, exercitando assim nossos dons artísticos. Quando crianças podemos fazer guerrinhas uns com os outros estreitando nossos laços de afeto (deve ser por isso que somos mais companheiros que as mulheres). Se aquele mala do futebol está do nosso lado no vestiário depois da partida, podemos posicionar o jato num ângulo que espirre várias gotas nele e, se ele vier reclamar, pedimos desculpas esfarrapadas (isso às vezes acontece sem querer mesmo), ou então chutamos o balde e apontamos tudo diretamente para ele e seja o que Deus quiser! Nada mais gratificante que, depois de uma seção de Cinemark, entrarmos no banheiro e os urinóis grudados na parede estão cheios de gelo. Fazemos mira e começamos o ataque para derreter os inimigos. Uns mantêm o tiro em uma só pedra até que esta se desintegre por inteiro, outros lançam seus lasers por todos os lados procurando ferir o máximo de alienígenas possível. Qualquer uma que seja a estratégia, nestes segundos somos o Lucky Sky Walker com nosso sabre de luz devotado à derrotar o Darth Vader e salvar o universo!!! As possibilidades são infinitas ....
Provavelmente esta flexibilidade é fruto de anos de evolução, pois houve uma época em que era crucial sair correndo de animais selvagens mesmo quando estivéssemos nos aliviando. Isso certamente ajudou na sobrevivência da nossa espécie e garantiu que hoje você possa estar aí lendo esse monte de bobeira. E viva La Evolucion!!
28 junho, 2006
Saudades
Hoje senti saudades de você,
uma saudade rouca, abafada, mas doce e viva.
Lembrei dos seus olhos cor de caramelo a me fitar demoradamente.
Do seu nariz roçando ao meu quando nossos corpos se aproximam,
e minha respiração morna lhe aquecendo a nuca, a orelha e depois a boca.
Lembrei da sua pela branca, nua, se movendo à minha frente, deixando-me
tonto e atento, mas calmo e feliz.
Então toquei seus contornos certos e lisos e esquadrinhei seu corpo como
uma criança faz a fim de compreender um mistério.
Mas não era criança e carimbei sua carne com minha boca fazendo-
lhe estremecer levemente.
Primeiro a coxa e a barriga, depois os ombros e os seios.
Lembrei dos cabelos, dos pés e mãos, da voz e risada.
Lembrei tanto e de tanto lembrar dormi e sonhei, e acordei com uma voz
rouca e abafada, mas com a boca doce e alma viva!
09 junho, 2006
O Mal venceu
O Mal venceu ! É isso que a opção de ir à guerra representa. Lutamos para preservar a vida de animais em extinção, a água e o que resta de florestas a fim de deixar um mundo habitável para nossos filhos e netos. Lutamos para saciar a fome, biológica e espiritual, daqueles que vivem nas regiões mais pobres do planeta, dos que sofrem de doenças terríveis nos hospitais, das vítimas de catástrofes que às vezes perdem todos a quem amam de uma só vez. Lutamos também contra nós mesmos, contra nosso egoísmo, nossa vaidade, nossos preconceitos. Nos esforçamos para sermos mais tolerantes, mansos e prudentes, para assim vivermos em mais harmonia. Fazemos tudo isso com um só objetivo, tornarmos o mundo melhor e, apesar de todos os obstáculos, de tanta gente jogando no lado oposto, ainda assim fazemos, porque sabemos que é o certo, porque nos emocionamos quando vemos exemplos disso nos filmes, porque no final, é tudo que realmente importa. Queremos acreditar, com todas as nossas forças, na vitória do ser humano, na vitória do bem contra o mal. Mais do que uma derrota diplomática, das imprevisíveis conseqüências econômicas que vai causar no mundo, se tudo tem mesmo a ver com o petróleo ou não, essa guerra representa a morte de um sonho, é a mensagem para a humanidade de que o mal venceu o bem. Todos os protestos, as tentativas dos líderes religiosos, as diferenças de opiniões entre países importantes e aliados, nada disso foi suficiente. É como se estivessem dizendo pra gente "Agora parou a brincadeira de ficar tentando arrumar o mundo. Agora é conversa de gente grande e a gente é que decide.". E essa "gente grande ", que é quem realmente manda no mundo, decidiu pelo mal. A vontade da população mundial não significou nada. Somos apenas coadjuvantes postos de lado para que os atores principais dessem seu show. Esse desfecho foi a mensagem para o mundo de que no fundo, o que ainda impera, é a força bruta contra a prudência, é a vitória, em cadeia internacional, do mais forte sobre o mais fraco. Para nós, resta nos perguntarmos : "No final das contas, o Bem realmente vence o Mal ?".
06 junho, 2006

Muitos acham estranho meu sobrenome "Masdeval". Escrever certo então ... nem pensar!! Acontece que estava navegando esses dias e por acaso descobri algo interessante sobre o Masdeval. Existe um gênero de orquideas batizado como Masdevallia. Isso se deu em homenagem ao seu descobridor, João Masdeval, que foi físico e botânico na corte do rei Carlos III da espanha no final do seculo XVIII.
Portanto, daqui para frente, pode me chamar de alteza ou algo semelhante OK.... :-)))
Essa é uma das orquídeas do gênero Masdevallia, chamada Masdevaliia Amabilis:
30 janeiro, 2006
Vampiros Modernos
Sim, vampiros existem! Mas, diferente dos precursores vindos da Romênia, os de hoje em dia não sugam sangue, mas sim, bytes.
Desde que surgiu a internet e centenas de milhares de bytes com os mais variados tipos de informações ficaram disponíveis a qualquer um que esteja conectado à grande rede, uma epidemia de sangue-sugas começou a se espalhar pelos quatro cantos do planeta.
Ávidos por se encherem do liquido virtual, essas criaturas notívagas permeiam imensidões intrincadas de redes telefônicas madrugadas a fora, salivando atrás dos mais preciosos conjuntos de zeros e uns que conseguirem obter.
E já que os mais valiosos e interessantes, como não podia deixar de ser, são os proibidos, isso torna os vampiros modernos tão contraventores quanto seus antecessores. Atrás de uma aparência corriqueira e inofensiva, o novo nosferatu, capaz de banhar-se naturalmente em todos os raios cósmicos que atravessam nossos escassos escudos, mistura-se facilmente entre suas presas em potencial.
No topo da cadeia alimentar dessa nova espécie, estão aqueles poucos e solitários representantes que hoje são caçados pelo sorver inapropriado de pequenas quantidades de bytes que, como as palavras mágicas de Alibaba, pode abrir-lhes as portas para um mundo de riquezas, mas também de perigos. Misteriosos e românticos como um Lestat, esses vampiros residem numa tênue linha entre protagonistas ou vilões do mundo contemporâneo, sempre fugindo da estacada mortal no peito.




