06 Setembro, 2011

Como nascem os concurseiros

Já tem um bom tempo que eu estava num quarto de hotel mudando os canais e parei nesse programa da HBO. É um standup do Chris Rock e é um dos melhores que existe eu acho.  Fiquei com essa parte em particular na cabeça e esses dias resolvi procurar para ver se encontrava. Ele fala da diferença em se ter uma carreira e se ter um trabalho. Não sei quanto a vocês mas de tempos em tempos penso nisso e acho que a maioria de nós no fundo queria estar fazendo outra coisa. O texto é meu e é uma brincadeira com (noss)as vidas de concurseiros.




  • 14 de Novembro de 1991 (0), nasce Silas Oliveira pesando 3 quilos e 200 gramas e como todos nós cheio de ideias únicas e exclusivas que seriam expostas ao mundo no tempo certo. Era canhoto, seu olho esquerdo era maior que o direito e só arrotava depois da segunda vez que sua mãe dava o tapinha nas costas.
  • Sua mãe era enfermeira no maior hospital da região e parteira por vocação. Estava radiante com o primeiro filho e já sonhava com o futuro promissor do moçoilo. Gosta de Smashing Pumpkins e de sair para passear com o pequeno Silas após a meia-noite. Apesar de não ser canhota, empurrava o carrinho com a mão esquerda.

  • Vitor era Flamenguista e, como todos nós, sonhou um dia em ser um grande jogador de futebol. Como todos nós, também logo percebeu que não seria um grande jogador e foi para a Europa fazer um mochilão. Como precisava de dinheiro, passou a perseguir tempestades de granizo e arrumar os carros amassados pelas pedras. Voltou para o Brasil e abriu sua própria oficina de martelinho de ouro. Gosta de coçar a orelha com a tampa da caneta, da raça Beagle e sempre leva a mão ao nariz quando conta uma mentira. 
     
  • 14 de Novembro de 1992 (1), Silas ganhou 10 pacotes de fralda, 3 camisetinhas, um homem-aranha de borracha e uma rosa do vento para berço. Sua vó materna já apresentava preocupação sobre o futuro do neto e, no meio da conversa na sala, após a festa, soltou: - “... a segurança de um emprego público ...”. Silas, que estava no berço, como nunca tinha ouvido aquelas palavras franziu o cenho para designar sua expressão de dúvida. Preparado para dormir, Silas olhou para a rosa do vento de cristal que balançava sobre sua cabeça e, quando um feixe de luz atingiu-a em cheio, produziu um efeito caleidoscópio com uma mistura de cores e brilhos. Pensou em como aquilo era bonito e reconfortante e em quais outras belezas e surpresas o mundo lhe reservaria.
  • 18 de Março de 1998 (6), Silas escreveu uma história em quadrinhos intitulada “O Super-Homem e as Múmias do Espaço”. Queria reconhecimento e tentou vender a obra. Foi até uma banca e, quando o dono não estava olhando, jogou a revista por cima de outras. Ficou rodeando o local esperando alguém pegá-la. Quando o dono começou a ficar desconfiado de sua presença por ali, resolveu ir embora.
  • 05 de Agosto de 1998 (6), Silas faz bonecos de argila na escola e vê um desenho fantástico cheio de naves espaciais que um colega mais velho fez. Naquela mesma tarde, os alunos são chamados para pintar o ônibus da escola. Todos se divertiram muito. Silas vai de castigo por jogar tinta na cabeça dos outros alunos.
  • 04 de Outubro de 2000 (7), Silas ganha uma corrida de rolimã com o carro que ele mesmo fez e sente o sabor da vitória correr pelas veias. O garoto leva jeito para construir coisas. Até então já havia feito um espantalho, um arco e flecha e três carrinhos baratos com peças de outros caros.
  • 25 de Julho de 2003 (9), Silas terminou de ler O Pequeno Príncipe. Ficou encantado com aquele mundo fantasioso, os personagens inusitados, a beleza dos contos, a reflexão que incita. Naquele dia, antes de dormir, teve um insight de como é maravilhosa essa tal da escrita, onde tudo é possível, qualquer criação da imaginação, e como isso pode influenciar as pessoas.
  • 12 de Dezembro de 2005 (12), os alunos recebem uma aula motivacional de fim de ano. O assunto é vocação e emprego. O palestrante explica sobre várias profissões com ênfase naquelas que serão mais solicitadas no país num futuro próximo, notadamente cursos técnicos para suprirem alguns ramos da indústria.
  • 27 de Junho de 2006 (12), Silas ganha um concurso de redação.
  • 29 de Maio de 2007 (13), o pai, em apuros financeiros, tem que vender a oficina. Passam a ser sustentados pela mãe. Silas sente-se preocupado com seu futuro pela primeira vez.
  • 14 de Novembro de 2007 (14) , num jantar em família uma tia indaga à Silas qual profissão ele pretende seguir e, antes mesmo que pudesse responder, ela começa a dissertar sobre o filho da prima da sua vizinha que passou num concurso público e está muito bem e bla … bla … bla … A ladainha continuou até o final do jantar. Silas não ganhou presentes dos pais pois a situação estava feia.
  • 29 de Agosto de 2009 (15), seu pai voltou a trabalhar. Depois de várias tentativas para se reerguer como empresário acabou se conformando em virar empregado. Calejado, vivia taciturno e cabisbaixo e já não era mais o homem vibrante de antes. Passou a viver na defensiva e a temer o pior.
  • 28 de Abril de 2012 (18), Silas participa de um curso vocacional na escola. O resultado para ele foi as profissões de sempre: letras, pedagogia ou ciências sociais. Não ficou interessado por nenhuma delas.
  • 12 de Dezembro de 2012 (19), formatura do segundo grau. Seus pais estavam orgulhosos. Houve uma festinha em casa para comemorar. Novamente vem à tona o assunto da faculdade. Dessa vez Silas balbucia que não sabe ao certo, mas acha que leva jeito e pensa em ser escritor. Percebe a expressão preocupada de seu pai enquanto ouve-se a entoação de discursos mornos sobre como é bonito ser escritor.
  • 02 de Fevereiro de 2012 (19), no auge da sapiência dos seus 19 anos Silas tem que decidir o que vai fazer pelo resto dos seus dias. Terminar alguma faculdade parecia ser o caminho mais certo e seguro naquele momento.
  • 14 de Abril de 2016 (22), Silas forma-se na faculdade de Administração de Empresas. Foram cinco longos anos no costumeiro ambiente acadêmico bitolante das universidades, onde professores semi-deuses fazem o favor de repassar conhecimento. Silas não teve alguma aula de filosofia, nem tampouco discutiu-se de maneira realmente estimulante empreendedorismo. Não houve a leitura de biografias interessantes, nenhum tipo de coaching com os estudantes e o único professor com alguma experiência de vida havia sido ripe, teve 2 empresas e conhecera o Dalai Lama no Tibet. De qualquer maneira, esta contente por ter terminado a faculdade.
  • 02 de Setembro de 2017 (23), passa em um concurso público para trabalhar na prefeitura. O salário não era lá essas coisas mas ele precisava de dinheiro para finalmente começar sua vida independente. Depois faria um outro concurso que pagasse melhor. Esse seria apenas um trampolim. Os pais estavam orgulhosos e aliviados. Sensação de missão cumprida.
  • 27 de Agosto de 2027 (32), num quente e seco domingo organizando caixas de uma mudança recém feita, encontra as estórias que escrevia quando criança e isso só faz piorar a sensação de vida sem sentido que se arrasta em dias intermináveis. Lembrou-se de como gostava de escrever e se martirizou por ter se afastado disso por tanto tempo.
  • 28 de Agosto de 2027 (32), Silas tem seu primeiro dia de trabalho no seleto grupo dos analistas da Câmara dos Deputados. O trampolim não o alçou tão alto assim e possou-se 10 anos até sair do primeiro emprego e da cidade em que nasceu e cresceu. Animou-se um pouco com a ideia de ganhar bem e de talvez agora ter seu trabalho mais reconhecido.
  • 01 de Setembro de 2032 (37), Silas morre ao bater seu carro esporte num poste. 
     
    Ao chegar ao céu encontra Deus e pede para entrar. Deus então esbraveja: “Não Silas, aqui não entra covardes. O único objetivo de vocês na terra é serem corajosos e seguirem seus corações. Dei-te talentos únicos e era para você tê-los usado. Ao invés disso, levaste uma vida morna e sem sentido. Vais voltar com uma corcunda e um olho de peixe pra largar de ser besta.”

25 Maio, 2011

Under Cover of Darkness - The Strokes




Under Cover Of Darkness

Slip back out of whack at your best
It's a nightmare
So I'm joining the army
Know how folks back out, I still call
Will you wait for me now?
We got the right to live, fight to use it
Got everything but you can just choose it
I won't just be a puppet on a string

Don't go that way
I'll wait for you

And I'm tired of all your friends
Listening at your door
And I want, what's better for you
So long my friend and adversary
But I'll wait for you

Get dressed jump out of bed and do it best
Are you ok?
I've been out around this town
Everybody's singing the same song for ten years

I'll wait for you
Will you wait for me too?

And they sacrifice their lives
In the land of all closed eyes
I've been saying a billion times, and I'll say it again
So long, my end
The sorry embrace

(solo)

Don't go that way
I'll wait for you

I'm tired of all your friends
Knocking down your door
Get up in the morning and give it your all
So long my friend and adversary
I'll be waiting for you

Sob o Manto da Escuridão

Caia fora do ridículo com o seu melhor
É um pesadelo
Então, eu estou me juntando ao exército

Saiba como o seu pessoal volta atrás, eu ainda chamo
Será que você vai me odiar agora?

Nós temos o conselho mais correto para usar
Temos tudo, mas você pode escolher
Eu não vou me amarrar como uma marionete em uma corda

Não vá por esse caminho.
Eu vou esperar por você.

E eu estou cansado de todos os seus amigos
Ouvindo na sua porta
E eu não estou, é melhor eu ligar para você.

Até logo, meu amigo e adversário.
Mas eu vou chamar você.

Se arrume e pule pra fora da cama e faça o seu melhor
Você está bem?
Eu estive rodando por esta cidade
Todo mundo esteve cantando a mesma música por dez anos

Eu vou esperar por você.
Você vai esperar por mim também?

E eles sacrificam suas vidas
Na nossa terra todos estão com os olhos fechados.
Eu venho dizendo que estamos derrotados, não vou dizer de novo.
Até logo, meu fim.
O abraço de desculpas

Não vá por esse caminho.
Eu vou esperar por você.

Eu estou cansado de todos os seus amigos,
Batendo em sua porta.
Levante-se pela manhã, dê tudo de si
Até logo, meu amigo e adversário.
Eu vou esperar por você

09 Fevereiro, 2011

Pound of Flesh



Olha só as ideias que a Regina mistura nessa música. Ezra Pound foi um poeta anti-semita nascido em 1885 nos EUA. Na música o Ezra senta na cama de alguém e pede que reponha "a pound of flesh" (uma libra de carne) nos seus ossos que estão aparecendo. Mas esse termo, "uma libra de carne", não está em nenhuma p
oesia do Ezra. Está na peça O Mercador de Veneza do Shakespeare. Nessa peça um judeu diz essa expressão "give to me a pound of flesh" cobrando de um outro sujeito. A ironia é que o Ezra era anti-semita e a Regina saca tudo isso e o coloca na música no lugar do judeu, pedindo um punhado de carne.

Segue a letra em ingles e a tradução meia-boca que encontrei em portugues:

Regina Spektor Pound Of Flesh

if you're never sorry
then you can't be forgiven
if you're not forgiven
then you can't be forgotten
if you're not forgotten
then you can live forever
if you live forever
then you'll begin to dream
of death...

ezra pound sat upon my bed
asked me which books as of late I've read

ezra pound sat upon my bed
asked me which books as of late I've read
asked me if I've read his own
and whether I could spare a pound
of flesh to cover his bare bones
I says, man, take a pound, take two
what's a pound of flesh between
friends like me and you?
what's a pound of flesh among friends?

but if you're never sorry...

if you're never sorry
then you can't be forgiven
if you're not forgiven
then you can't be forgotten
if you're not forgotten
then you must live forever
if you live forever
you cannot be reborn
if you're not reborn then
you can't be a baby
if you're not a baby
you can't learn how to crawl
if you cannot crawl away
then you must stay in bed all day
if you stay in bed all day
you're sure to have some visitors

ezra pound'll sit upon your bed
ask you which books as of late you have read
ask you if you've read his own
and whether you could spare a pound
of flesh to cover his bare bones
you'll say, man, take a pound, take two
what's a pound of flesh between
friends like me and you?
what's a pound of flesh among friends?

Regina Spektor Pound Of Flesh

Se você nunca está arrependido
Então você não pode ser perdoado
Se você não está perdoado
Então você não pode ser esquecido

Se você não está esquecido
Então você pode viver para sempre
Se você vive para sempre
Então você começa a sonhar com a morte

Ezra Pound sentou em cima da minha cama
Perguntou-me quais os livros que nos últimos tempos tenho lido
Ezra Pound sentou em cima da minha cama
Perguntou-me quais os livros que nos últimos tempos tenho lido

Perguntou-me se eu li o seu próprio
E se eu poderia guardar
Um quilo de carne para cobrir seus ossos expostos

Eu disse, homem, toma uma libra de tomar dois
O que é um quilo de carne
Entre amigos como eu e você?
O que é um quilo de carne entre amigos?

Mas se você nunca está arrependido

Se você nunca está arrependido
Então você não pode ser perdoado
Se você não está perdoado
Então você não pode ser esquecido

Se você não está esquecido
Então você tem que viver para sempre
Se você vive para sempre
Você não pode renascer

Se você não é renascer
Então você não pode ser um bebê
Se você não é um bebê
Você não pode aprender a rastejar

Se você não pode rastejar
Então você deve ficar na cama o dia todo
Se você ficar na cama o dia todo
Você tem certeza de ter alguns visitantes

Esdras Pound'll sentar em cima de sua cama
Peça-lhe que livros como de tarde você já leu

Perguntar se você leu o seu próprio
E se você pudesse poupar
Um quilo de carne para cobrir seus ossos expostos

Você vai dizer, homem, toma uma libra de tomar dois
O que é um quilo de carne
Entre amigos como eu e você?
O que é um quilo de carne entre amigos?



video

16 Dezembro, 2010

Eddie Vedder- Better Days


O Eddie Vedder fez essa música especialmente para o filme. O cara é bom! Toca só no final, quando já tá passsando os créditos. Agora com a letra.

Better Days Eddie Vedder
I feel part of the universe open up to meet me
My emotion so submerged broken down to kneeling
What's listening?
Voices they care

Had to somehow greet myself
Greet myself
Heard vibrations within my cells
In my cells

Singin' laaa

My love is saved for the universe
See me now I'm bursting
On one planet so many turns
Different worlds

Singin' laaa

Fill my heart with discipline
Put there for the teaching
In my head see clouds of stairs
Help me as I'm reaching

The future's paved
With better days

Night runnin'
From something
I'm running towards the day
Wide awake

All whispered
Once quiet
Now rising to a scream
Right in me

I'm fallin'
Free fallin'
World's calling me
Up off my knees

Oh, I'm soaring
Yeah, and darling
You'll be the one that I can need
And still be free

Our future's paved with better days





22 Novembro, 2010

Acoplamento fraco x Herança

Introdução

Acoplamento fraco é um dos principais requisitos para se construir software orientado a objetos (OO) de qualidade. O acoplamento fraco mede o quanto uma classe, depende de, ou está relacionada a, outra classe ou subsistema. A capacidade de uma classe em herdar o comportamento de outra(s) é uma das principais características do paradigma OO. A principal vantagem é poder criar novas classes quase de graça, aproveitando o código de outra. Esse artigo discute esses dois conceitos e mostra porque a herança, em geral, ajuda a comprometer o acoplamento fraco.

Acoplamento fraco

Uma classe com acoplamento forte depende muito (em geral sem necessidade) de outras. Isso pode conduzir aos seguintes problemas [Larman]:

  • classes difíceis de aproveitar tendo em vista que sempre que esta for utilizada todas as outras das quais ela depende devem estar presentes;

  • alterações nas classes relacionadas podem forçar mudanças locais e

  • são difíceis de compreender isoladamente.


Formas comuns de acoplamento ocorrem através de: variáveis de instância, variáveis locais a métodos ou de seus argumentos, chamada de serviços em outra classe, uma classe deriva direta ou indiretamente de outra ou uma classe implementa uma determinada interface. Resumindo, sempre que uma classe referencia um outro tipo em qualquer uma das circunstâncias acima está ocorrendo acoplamento. Considere o código:


public class X

{

private ClasseConcretaY var1;

void M1(ClasseConcretaW var2 ) { … }

}



Existem dois pontos principais de acoplamento, na variável de instância var1, que é do tipo ClasseConcretaY, e no argumento var2, que é do tipo ClasseConcretaW. Nestas duas partes do código a classe X referencia outras duas classes concretas. Isso significa que, sempre que esta classe for utilizada, as outras duas deverão estar disponíveis no espaço de nomes do programa. No caso de Java, o(s) pacote(s) onde estas se encontram deverá(ão) estar no classpath.

Mas, referenciar outras classes sempre causa problemas de acoplamento? A resposta é, depende! Referenciar classes estáveis e disseminadas raramente é um problema. Por exemplo, utilizar o pacote java.util num programa em Java dificilmente causará problemas futuros de acoplamento, uma vez que qualquer ambiente de execução Java contém essa biblioteca. O problema está em classes instáveis, pouco conhecidas, ou seja, nas classes que são criadas para atender os problemas específicos dos projetos.



Como diminuir o acoplamento?



Uma regra geral para diminuir o acoplamento é “programar para uma interface e não para uma implementação” [Gamma]. No exemplo acima isso significa substituir as declarações das classes concretas por declarações de interfaces. Fazendo isso desacopla-se o código de uma implementação específica, tornando-o dependente apenas de uma interface. Essa não é a solução definitiva, um bom projeto com boas atribuições de responsabilidades é crucial, porém ajuda muito. É mais fácil compreender isoladamente uma classe que referencia apenas interfaces e mais [Gamma]:

  • os clientes (usuários da classe) permanecem sem conhecimento dos tipos específicos dos objetos que eles usam, contanto que os objetos tenham aderência à interface que os clientes esperam,

  • os clientes permanecem sem conhecimento das classes que implementam estes objetos; eles somente têm conhecimento das classes abstratas que definem a interface.

Herança

A herança é a principal característica de distinção entre um sistema de programação orientado a objeto e outros sistemas de programação. As classes são inseridas em uma hierarquia de especializações de tal forma que uma classe mais especializada (subclasse) herda todas as propriedades da classe mais geral (superclasse) a qual é subordinada na hierarquia.

O principal benefício da herança é o reaproveitamento de código. A herança permite ao programador criar uma nova classe programando somente as diferenças existentes na subclasse em relação à superclasse. Isto se adeqüa bem a forma como compreendemos o mundo real, no qual conseguimos identificar naturalmente estas relações.

A reutilização por meio de subclasses é dito “reutilização de caixa branca”, pois usualmente expõe o interior das classes ancestrais para as subclasses. A herança é definida estaticamente em tempo de compilação e é simples de utilizar, uma vez que é suportada diretamente pela linguagem de programação.

Acoplamento fraco x Herança

A decisão de derivação a partir de uma superclasse precisa ser cuidadosamente considerada, uma vez que ela é uma forma muito forte de acoplamento [Larman]. As classes ancestrais freqüentemente definem pelo menos parte da representação física das suas subclasses. A implementação de uma subclasse, desta forma, torna-se tão amarrada à implementação da sua classe mãe que qualquer mudança na implementação desta forçará uma mudança naquela. Vejamos uma situação onde isso é verdadeiro. Considere o esquema de herança abaixo:


abstract public class X

{

private final int MAX = 100;

public int CalculaMaximo(int i)

{

return i * MAX;

}


public int UsaMaximo(int i)

{

int maximo = CalculaMaximo(i);


//faz alguma coisa de útil com maximo …

}

}

public class Y extends X

{

public void UsaMetodoDaClasseX()

{

.

int aux = UsaMaximo(10);

}

}


Até aqui tudo bem! Agora considere a seguinte modificação na classe X:

abstract public class X

{

private final int MAX = 100;

public int CalculaMaximo(int i)

{

return (int) i * (MAX /100); // Aproxima o resultado com cast

}


public int UsaMaximo(int i) { … }

}



Essa alteração na maneira como o máximo está sendo calculado pode gerar efeitos colaterais na classe Y. A aproximação para inteiro pode funcionar para alguns métodos que usam a CalculaMaximo() mas provocar resultados errôneos na UsaMetodoDaClasseX(). Assim, para que a classe Y continue funcionando, esta precisaria ser adaptada à nova realidade. Problemas podem ocorrer também quando estruturas de dados visíveis nas classes derivadas são alteradas. Um array bidimensional transformado para vetor ou mesmo um tipo int modificado para float certamente acarretará problemas.

Este exemplo simples ajuda a mostrar como uma alteração na implementação de um método numa classe base pode provocar anomalias nas suas classes derivadas. Observe que não ocorreu uma alteração de interface, o que necessariamente (e notoriamente) implica em alterações nas classes clientes. É por isso que a herança, em particular, revela um alto acoplamento. Além das hierarquias de classes criadas estarem suscetíveis às mudanças de interface, estão suscetíveis também às alterações nas implementações dos métodos.

Quando uma subclasse redefine algumas, mas não todas as operações, ela também pode afetar as operações que herda, assumindo-se que elas chamam as operações redefinidas [Gamma]. Isso gera um efeito semelhante ao apresentado acima, porém no sentido oposto, onde alterações nas classes mais especializadas podem gerar problemas nas classes base. Se a classe Y tivesse sobrescrito o método CalculaMaximo(), o problema com a aproximação poderia ocorrer no método UsaMaximo() da classe X.

Como evitar a herança?

Uma outra forma de reaproveitar funcionalidade é através da composição de objetos. Novas funcionalidades são obtidas compondo objetos para obter funcionalidades mais complexas. Uma das vantagens desta abordagem é a flexibilidade em poder selecionar em tempo de execução qual objeto será usado na composição (contanto que este respeite a interface definida). No exemplo anterior, se a classe Y tivesse uma referencia para um outro objeto com a funcionalidade definida em X, quando este fosse alterado restaria a ela ainda a possibilidade de utilizar uma versão antiga e seu funcionamento não estaria necessariamente comprometido.

Conclusão

Evitar herança e privilegiar a composição é em geral uma boa prática em projetos orientados a objetos. Favorecer a composição de objetos em relação à herança ajuda a manter cada classe encapsulada e focalizada em uma única tarefa. Suas classes e hierarquias de classes se manterão pequenas e mais tratáveis [Gamma]. Além disso, vimos como e porquê a utilização da herança resulta num alto acoplamento e os problemas que isso pode acarretar.


Bibliografia


[Gamma] Gamma, E; Helm, R; Johnson, R; Vlissides, J. Padrões de Projeto – Soluções Reutilizáveis de Software Orientado a Objetos, Bookman, 2000.


[Larman] Larman, C. Utilizando UML e Padrões, Bookman, 2004.


25 Outubro, 2010

Para quem busca inspiração para escrever








“ Creio que o romance sempre foi um testemunho rebelde, de insubmissão. Em todas as épocas, os romances flagraram nossas carências, tudo aquilo que a realidade não nos pode dar e que, de alguma maneira, desejamos. Começamos a inventar porque o mundo não nos parece suficiente. O romance se situa justamente nessa compensação que o ser humano busca quando entende que a realidade não o satisfaz completamente. Por esse motivo, ele sempre causou desconfiança nos governos, nas instituições que pretendem controlar a vida. As religiões e os regimes autoritários nunca foram simpáticos ao romance. E penso que têm razão: ele é mesmo um gênero perigoso, porque provoca a imaginação, os desejos, e nos faz sentir que a vida não é bastante, que ela não consegue aplacar todos os nossos apetites e sonhos. O romance tem a ver com esse espírito rebelde. A invenção de outro mundo, de outra realidade, onde podemos nos refugiar e viver. Escapar por meio de fantasia. Acredito que essa é a origem de toda a ficção.”
Mario Vargas Llosa

Essa foi a resposta que o ganhador do Nobel de literatura desse ano, o peruano Mario Vargas Llosa, deu numa entrevista. Se você sente algo parecido com isso mas nunca escreveu nada, talvez seja um escritor e nem saiba. Ponha a imaginação para funcionar e mãos à obra.

18 Outubro, 2010

SWU - 2010


Regina Spektor



Teatro Mágico

Quase quebrei o dedo tentando socar essa bola que eles jogaram.


Cadeiras de pneus. Encomendei umas lá pra casa.


O exterminador do futuro também tava lá.


Os palcos principais


Roda gigante movida a pedaladas


Fila de entrada






video


Regina Spektor

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Dave Matthews

23 Agosto, 2010

O prazer da mudança


Acabei de assistir Hary e Sally pela 4 vez eu acho. O filme tem um lance legal onde de repente a sequência normal é interrompida e entra em cena casais já velhinhos contando orgulhosos como se conheceram há mil anos atrás e estão juntos até hoje. É engraçado como a sociedade (ou o ser humano, não sei) valoriza a constância, a estabilidade, a rotina. Qualquer mudança, em geral, é recebida com maus olhos. Mas, na minha opinião, a mudança é o que dá graça à vida, é o que nos faz crescer, sair do lugar, superar limites, conhecer coisas novas. Do que adianta viver até aos 80 anos fazendo sempre a mesma coisa. Que tédio!! Um dos casais mais simpáticos é um tiozinho chinês que conta como conheceu a tiazinha chinesa. Foi assim: um homem de um vilarejo próximo disse a ele que havia uma moça muito boa e que estava pronta para casar. Ele não podia vê-la antes do casamento, pois assim rezava o costume, mas mesmo assim foi até o povoado próximo, ficou escondido e a espiou quando lavava roupas. Gostou dela e então disse ao homem que aceitava sim casar-se com a tal moça. Isso tinha sido há 52 anos e estavam juntos desde então. 52 anos! Isso é muito, muito tempo! Ninguém deveria ser obrigado a ficar com a mesma pessoa “para todo sempre”. Na verdade acho até que isso deveria ser desestimulado. A vida é uma jornada onde o grande barato é experimentar coisas diferentes e o autoconhecimento. Por exemplo, ao invés de ficar com uma pessoa por 50 anos, por que não uma a cada 10? 10 anos já é tempo pra burro. A cada mudança o fogo da paixão recomeçaria (para ambos), um ensinaria para o outro coisas novas, iriam fazer coisas novas juntos, aprenderiam um sobre o outro.

Fazer a mesma coisa a vida toda é um pensamento que me apavora. As vezes brinco que queria mudar de profissão e virar soldador de alumínio por um tempo. Dou esse exemplo por causa da palestra do Almir Klink que assisti onde ele conta como eles tiveram que treinar pessoas para trabalhar como soldadores de alumínio no estaleiro dele. Como esse é um trabalho altamente especializado, quem aprende e fica bom logo é chamado para trabalhar em outros estaleiros ao redor do mundo. Quando o ouvi contando senti mesmo vontade de largar tudo e ir aprender a fazer navios. O quanto eu não aprenderia convivendo com aquelas pessoas que estariam ali também! Aprenderia muitas outras histórias de vida diferentes das que eu vivi. Aprenderia um novo ofício diferente de tudo que eu já fiz. Sairia do escritório e iria trabalhar ao ar livre, perto do mar. E quando me cansasse daquilo começaria tudo de novo. Assim deveria ser a vida. O estado deveria estimular isso. A plenitude da vida e do homem deveriam ser prioridade e essa plenitude para mim é poder vasculhar o mundo e tudo que ele tem a oferecer.

21 Abril, 2010

Tarantino x Irmãos Coen

Pra quem é fã do Tarantino ou/e dos irmãos Coen não pode deixar de ver a compilação animal feita pelo brasileiro Leandro "Copperfield" Braga e que é sensação no YouTube. São mais de 500 cenas de filmes de ambos e ainda pode-se curtir o Surfin' Bird do The Trashman. Pra quem é fã e ainda não sabe segue uma pequena ajuda:

Filmes do Tarantino

1992 - Cães de aluguel
1994 - Pulp Fiction - Tempo de violência
1997 - Jackie Brown
2003 - Kill Bill: Volume 1‎
2004 - Kill Bill: Volume 2
2005 - Sin City - A cidade do pecado
2009 - Bastardos Inglórios
2014 - Kill Bill 3

Filmes dos irmãos Coen

2009 - A Serious Man (Um homem de família)
2008 - Queime Depois de Ler
2007 - Onde os Fracos Não Têm Vez
2006 - Paris, je t'aime
2004 - The Ladykillers
2003 - Intolerable Cruelty
2001 - The Man Who Wasn't There
2000 - O Brother, Where Art Thou? (E aí meu irmão, cadê você?)
1999 - The Big Lebowski (O grande Lebowski)
1996 - Fargo
1994 - The Hudsucker Proxy
1991 - Barton Fink
1990 - Miller's crossing
1987 - Raising Arizona (Arizona nunca mais)
1984 - Blood Simple (Gosto de sangue)

Divirta-se!!